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Dia de Tereza de Benguela: Conheçam Dani Monteiro

Nossa homenagem às mulheres negras neste dia 25 de Julho

Por Maitê Lourenço|

Dani Monteiro entrou na vida do BlackRocks não por acaso, me lembro quando tive o contato com o currículo dela, onde havia trabalhado e toda a sua trajetória, fiquei sem graça de falar sobre meu projeto que estava no começo, mas não me deixei intimidar, sorte a minha de ter tido coragem! Ela é uma das pessoas mais incríveis e humilde que conheço, compartilha as informações sobre os PRÊMIOS MUNDIAIS com uma simplicidade que só vendo. E nós do BlackRocks não poderíamos deixar passar essa data tão importante sem que vocês pudessem conhecer essa referência. Pelas suas próprias palavras, conheçam Dani Monteiro!!!!

Apresentação dos Mentores - Noite de Mentorias BlackRocks - Oracle, 2018.

"Quem sou eu?

Um amigo me disse que sou um espírito inquieto... E depois de um tempo pensando, eu acho que sou mesmo!

Meu nome é Danielle Monteiro trabalho com TI há mais de 17 anos, inicialmente como desenvolvedora, depois como DBA e atualmente como Arquiteta de Dados.

Sou autora do blog DB4BEGINNERS.com e idealizadora, instrutora e às vezes sócia da WDB.consulting.

O começo...

Vou começar falando da minha avó gatona, que foi sequestrada quando tinha 8 anos de idade, passou anos sendo escrava de famílias ricas... Até que aos 15 ela localizou a minha bisavó.

Minha mãe nasceu quando minha avó tinha 16 anos. E eu nasci quando minha mãe tinha 16 anos.

Minha mãe sempre teve dificuldades na escola (por conta da matemática), e por isso quando eu nasci perguntaram se ela me imaginava casando... E ela disse que me imaginava na faculdade (sem adiantar muito a história, eu fui a primeira pessoa de todas as gerações da minha família a entrar e sair da faculdade)

Estudar nunca foi uma opção! Era a minha chance de romper com aquilo que parecia uma “sina familiar”. Teve até uma pessoa que me disse que eu teria o mesmo destino da minha mãe... mas eu nunca permiti que ninguém determinasse o meu caminho!

Para entrar na faculdade eu trabalhava no cursinho, e tive a sorte de ganhar as inscrições para o vestibular. Queria fazer fisioterapia, mas só passei no interior de SP e minha mãe (que era copeira hospitalar) não tinha dinheiro nem para eu ir fazer a matrícula.

Um dos cursos que eu havia prestado era Processamento de Dados na Fatec-SP. Quando eu soube que tinha passado, resolvi fazer 1 ano, para depois prestar novamente fisioterapia. Mas no segundo semestre eu já estava fazendo estágio com programação e ganhando mais do que a minha mãe. Sair da faculdade já não era uma opção.

A tecnologia

Meu primeiro estágio foi com programação, eu gostava, mas nem sempre entendia. Chorava no banheiro cada vez que uma coisa dava errado.

Trabalhei com homens fantásticos e outros bem toscos... Nesta etapa eu não lembro de ter trabalhado com negros e nem com mulheres. Normalmente eu era a única... Como odiava os comentários e as piadinhas idiotas eu passei a estudar cada vez mais. Meu pai sempre dizia que o mundo exigiria mais de mim do que dos outros, que eu precisaria estar entre os melhores se quisesse ser respeitada. E eu buscava o respeito.

Passei anos sendo desenvolvedora, e eu adorava! Como eu sempre tive uma enorme facilidade para fazer consultas, quase que naturalmente fui migrando para a área de banco de dados... Me apaixonei! Estudar passou a ser um prazer, quando eu encontrei o que eu gostava.

Já que eu havia descoberto minha paixão, tinha um emprego e trabalhava com BD decidi ir para o mestrado. Foram 3 anos intensos! Até eu deixar de ser tecnóloga e passar a ser Mestra em Engenharia da Computação.

Defendi em uma quarta-feira e na quinta-feira fui trabalhar. Nada mudou! Os dias passaram e meu trabalho continuava o mesmo, meu salário continuava o mesmo... Não demorou muito, e eu comecei a pensar se havia valido a pena ter me dedicado tanto ao mestrado.

Foi aí que surgiu o Minas Programam... Naquele ano dei uma oficina de banco de dados e não parei mais! Tudo se encaixou! O conhecimento que eu adquiri no decorrer dos anos me ajudou a mudar de vida... Se eu compartilhasse o meu conhecimento, poderia ajudar outras pessoas a mudar de vida também. E este foi meu plano!

Dei centenas de palestras, treinamentos e cursos em várias cidades do Brasil. Tive o privilégio de participar de praticamente todos os grandes eventos de tecnologia que aconteceram, além de ser palestrante no TEDx SP.

Mas o melhor disso tudo, foram os abraços e as conversas... Conheci tanta gente fantástica!

Recebo mensagens incríveis, que mesmo nos meus dias de bode total, me ajudam a seguir em frente!

Para mim a tecnologia não é só máquina ou só dinheiro. A tecnologia é meu instrumento para lutar pela inclusão de tantas minorias. Acredito realmente que não é por acaso que sou mulher, negra, periférica e deficiente auditiva! Me arrisco a dizer que a paixão pelos bancos de dados foi o instrumento do universo para me mostrar o quanto eu gosto de pessoas!

Os prêmios

O primeiro prêmio que eu recebi foi o de Microsoft MVP (Most Value Professional). Este prêmio é dado pela Microsoft para os profissionais que se destacam tecnicamente e nas comunidades.

No Brasil o time de MVPs tem aproximadamente 120 pessoas e no mundo menos de 3000. Até hoje não encontrei as palavras certas para dizer como eu tenho orgulho de ser MVP.

No mesmo ano, fui para NY participar do MongoDB World 2018, e recebi o prêmio de MongoDB Female Innovator.

Tem noção da emoção de ter dois prêmios internacionais em poucos meses? As vezes nem eu acreditava que era possível!

Em 2019 eu recebi o prêmio de Microsoft Regional Director. De acordo com a Microsoft O programa RD “Estabelecido em 1993, o programa consiste em 175 dos maiores visionários de tecnologia do mundo, escolhidos especificamente por sua comprovada expertise multiplataforma, liderança comunitária e comprometimento com os resultados de negócios. “

Eu já sabia que queria participar do MongoDB World 2019. Submeti uma palestra no último dia... E não acreditei quando ela foi aceita! Sério... Eu não sabia se ria ou chorava... Afinal de contas seria a minha primeira palestra fora do Brasil, no maior evento de MongoDB do mundo.

Eu sabia que não seria fácil, mas assim mesmo eu abracei o desafio, e em junho eu fui a primeira mulher brasileira a palestrar no MongoDB World!

Se não bastasse essa emoção, eu também recebi o prêmio de inovação, chamado Willian Zola, pelo meu trabalho com as comunidades brasileiras. Foi mágico! Teve uma recepção com o CEO, CIO e VPs da MongoDB, e meu nome foi anunciado durante o keynote do MongoDB World.

MongoDB World 2018 - Nova Yoirk, EUA.
MongoDB World 2018- Nova Yoirk, EUA.

O futuro

Não ache que os títulos foram uma vitória minha... Foi da minha vó, foi da minha mãe, foi de tantos ancestrais... A luta de muita gente foi indispensável para que eu chegasse aqui. Sou o resultado de muitas batalhas!

E a batalha continua! Tenho um caminho longo... Quero outros prêmios, outras palestras, outros países. Porque quanto mais gente me vê, mais gente sabe que é possível ser reconhecida, mais gente sabe que pode contar comigo, mais gente conhece as comunidades, mais gente conhece bancos de dados, mais gente estuda, mais gente melhora de vida e aí o mundo vai melhorando pouco a pouco!!!

E aí, se inspirou?!

Um ótimo dia da Mulher Negra Latino Caribenha e Tereza de Benguela pra você!!!!

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