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Lapidando joias: BlackRocks auxilia empreendedores negros a acelerar negócios.

População negra é maioria entre empreendedores, mas ainda não frequenta espaços de inovação e tecnologia

Texto e Locução: Solon Neto
Imagens: Alma Preta; Divulgação

 

A paulistana Maitê Lourenço, psicóloga de 33 anos, atua na área organizacional de empresas há mais de uma década. Ela resolveu empreender a partir de uma iniciativa própria chamada Cia de Currículos, que prestava serviços de auxílio na confecção desses documentos para pessoas físicas. O processo de elaboração de currículos até então era praticamente manual, e ela resolveu utilizar a inovação e a tecnologia para diminuir o tempo de produção.

Com a intenção de melhorar seu negócio, Maitê passou a frequentar cursos e espaços de inovação destinados a empreendedoras como ela. Esses espaços de discussão reuniam conhecimentos de startups de tecnologia e inovação e também de construção de novas iniciativas. Foi quando Maitê percebeu um problema:

“Eu percebi que eu era a única negra nesses espaços. Não é novidade a gente falar isso, obviamente, mas eu acabei não vendo outras pessoas negras e isso foi me incomodando, sendo militante da questão racial”.

Percebendo uma oportunidade e uma necessidade, a empresária resolveu abrir um segundo empreendimento, dessa vez focado na população negra e no empreendedorismo. Assim nasceu a BlackRocks, uma empresa de consultoria e aceleração que pretende aumentar a diversidade racial do universo empreendedor.

Maitê Lourenço sorri durante entrevista na Virada Empreendedora, em São Paulo-SP no dia 11/06/2017(FOTO: Alma Preta)

“A pulguinha do incômodo me fez pensar em um projeto em que eu pudesse incentivar que pessoas estivessem lá dentro e pudessem sim usufruir do conhecimento que é oferecido nesses espaços.”

Ela conta que a partir daí passou a se movimentar e encontrou uma parceria em Michel Porcino, assessor de diretoria da SP Negócios. A empresa é ligada à prefeitura da cidade de São Paulo, e através do programa Tech Sampa, incentiva a inovação na cidade.

“Foi quando encontrei uma pessoa, que é o Michel Porcino. Ele trabalha com inovação dentro da prefeitura de São Paulo. Ele falou ‘Cara, é possível criar alguma coisa. Vou te conectando com algumas pessoas, e aí, enfim, vou te auxiliando de alguma forma para construir o BlackRocks”.

Uma característica do racismo é a estereotipação do corpo negro em detrimento de sua intelectualidade. Maitê aponta que o BlackRocks tem a intenção de valorizar esse lado intelectual do negro.

“Não é à toa que o logo já tem essa marca, o logo já vem com esse emblema do turbante, do diamante na cabeça. A gente sempre tenta favorecer a intelectualidade do negro”.

No próximo dia 26 de Junho, o BlackRocks realizará um evento em São Paulo voltado ao empreendedorismo negro. Na ocasião, diversas mentorias serão oferecidas às pessoas. No site da empresa você pode encontrar os mentores e mentoras parceiros da empresa. Nomes que incluem, o jornalista e empresário Luis Paulo Lima, a também jornalista e ativista Maria Rita Casagrande, e a empresária e fundadora da Feira Preta, Adriana Barbosa.

Eventos como esse são o carro chefe da empresa, que pretende reunir a comunidade com interesse em empreendedorismo. A ideia é formar redes cada vez maiores. Para isso, os mentores escolhidos são pessoas com expertises variadas, desde o empreendedorismo à inovação e tecnologia.

Reunindo esses elementos, Maitê acredita que pode conectar as pessoas e levar até elas os conhecimentos necessários para que suas ideias cresçam.

“E aí é linkar essas pessoas, conectar essas pessoas, para que elas possam cada vez mais acessar esses ecossistemas e entender que é possível. Que aquela ideia inicial, ela cresça, ela apareça, ou até mesmo no meu empreendimento em que está faltando uma informação, eu consiga solucionar esse problema e crescer cada vez mais”.

Maioria dos microeemprendedores no Brasil é negra

Segundo dados do SEBRAE, a maior parte dos empreendedores no Brasil é de pessoas negras. Para Maitê Lourenço isso é a prova de que há uma veia empreendedora nessa população que pode ser lapidada e elevada para além do microempreendedorismo. Ela acredita que essa maioria se construiu devido à escasssez de oportunidades para essa população, que por isso mesmo pode se fortalecer com uma visão própria de empreendedorismo.

Logotipo da empresa traz um diamante no lugar de um turbante, lembrando a missão de lapidar empresas negras e reforçar a intelectualidade de seus membros (Imagem: Divulgação)

“O empreendedorismo tem essa função, de oferecer autonomia para quem está empreendendo, de ser um dono de uma empresa, de oferecer um serviço bem qualificado para as pessoas. Mas também o retorno desse empreendimento para a população”.

Maitê Lourenço aponta que o empreendedorismo pode gerar maior qualidade de vida para as comunidades em que os empreendimentos se inserem. Essa melhoria se dá através da circulação dos bens e dos recursos gerados, sejam financeiros, humanos, ou mesmo de conhecimentos.

Para ela, a missão do BlackRocks é potencializar essa energia represada e valorizar o que já existe.

“O que mais me motiva é saber que a gente tem um potencial enorme como população negra. Diante de uma diversidade enorme, de exclusão, do racismo, de um extermínio que houve, de um genocídio que ainda há, a gente ainda é a maioria e a gente ainda consegue com muito pouco favorecer muitas pessoas. O que me motiva é oferecer a essa população que já luta muito, que já desenvolve muito, oportunidade de conhecer a tecnologia e fazer com que se agregue mais valor ao que já existe”.

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